"O surpreendente nesse exemplo é o quanto isso não surpreende. Existem inúmeros outros casos exatamente como esse on-line, em que praticamente tudo é oferecido de graça em alguma versão com a esperança de vender alguma coisa – ou, com ainda mais frequência, sem qualquer expectativa de pagamento."
"Aqui reside o paradoxo do Grátis: as pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. Não nada por tudo, mas nada pelo sufi ciente para criarmos uma economia tão grande quanto a de um país de tamanho razoável"
"O abundante mercado da cauda longa foi possibilitado pelo ilimitado “espaço de prateleira” da Internet, que é o primeiro sistema de distribuição da história tão apropriado para os nichos quanto para as massas, tanto para o obscuro quanto para a tendência dominante."
"O resultado foi o nascimento de uma nova cultura radicalmente diversificada e uma ameaça às instituições da cultura existente, da mídia de tendência dominante às gravadoras."
"Só existe um modo de ter espaço de prateleira ilimitado: se esse espaço não custar nada. Os “custos marginais” praticamente inexistentes da distribuição digital (isto é, o custo adicional de enviar mais uma cópia além dos “custos fi xos” do hardware com o qual isso deve ser feito) nos permi-
tem uma utilização indiscriminada – nenhum guardião é necessário para decidir se algo merece alcance global ou não."
"Esse grátis parecia vir sem qualquer restrição: não era apenas uma isca para uma venda futura, mas algo oferecido verdadeiramente de graça. A maioria de nós depende de um ou mais serviços do Google todos os dias, mas isso nunca é cobrado em nossos cartões de crédito."
"O Grátis que surgiu na última década é diferente do Grátis que veio antes, mas o como e o porquê raramente são explorados. Além disso, o Grátis de hoje está cheio de contradições flagrantes: é possível ganhar dinheiro dando coisas de graça. O almoço grátis não é uma mera abstração. Algumas vezes, você recebe mais do que paga."
"Os críticos mais velhos, que cresceram com o Grátis do século XX, tinham motivos para suspeitar: com certeza, o “grátis” não é grátis– nós pagaremos por isso mais cedo ou mais tarde. Isso não só não é novidade alguma, como é o artifício de marketing mais antigo da história."
"Os críticos mais jovens tiveram uma reação diferente: “E...?” Essa é a Geração do Google e eles cresceram on-line presumindo que tudo que é digital é grátis."
"Assim nasceu uma das ferramentas de marketing mais poderosas do século XX: dar uma coisa para criar demanda por outra. Woodward sabia que “grátis” é uma palavra com grande capacidade de alterar a psicologia do consumidor, criar novos mercados, abalar mercados antigos e tornar qualquer produto mais atrativo. Ele também percebeu que “grátis” não signifi cava “lucro zero”. Grátis só significava que a trajetória do produto à receita era indireta, algo que viria a ser consagrado no manual de estratégia do varejo como o conceito do preço “isca”.
"A ascensão da indústria publicitária e a chegada do supermercado fizeram da psicologia do consumidor uma ciência e do Grátis, a ferramenta preferida."
"O rádio e a televisão aberta ou “free to air” (o termo utilizado para sinais enviados pelo ar e que qualquer um pode receber gratuitamente) uniram uma nação e criaram um mercado de massa. “Grátis” era o brado de convocação do marqueteiro moderno, e o consumidor nunca deixava de responder."
"A nova forma de Grátis não é uma isca, um truque para transferir dinheiro de um bolso para outro. Ele é impulsionado por uma extraordinária nova capacidade de reduzir os custos dos bens e serviços a quase zero. Embora o Grátis do século passado tenha sido um poderoso método de marketing, o Grátis deste século representa um modelo econômico completamente novo."
"Essa nova forma de Grátis se baseia na economia de bits, não de átomos. Uma qualidade singular da era digital é que, uma vez que algo se transforma em um produto digital, inevitavelmente passa a ser grátis – em termos de custo, com certeza, e muitas vezes em termos de preço."
"Na economia dos átomos – em outras palavras, a maioria das coisas que nos cercam –, tudo tende a ser mais caro com o tempo. Mas na economia dos bits, que é o mundo on-line, as coisas ficam mais baratas. A economia dos átomos é inflacionária, enquanto a economia dos bits é deflacionária."
"Qualquer item grátis na economia dos átomos deve ser pago por algum outro item, e é por isso que o Grátis tradicional cheira tanto a uma isca – você está pagando, de uma forma ou de outra. Mas o Grátis na economia dos bits pode ser realmente grátis, excluindo totalmente o dinheiro da equação."
"As pessoas têm motivos para suspeitar do Grátis na economia dos átomos e para confiar no Grátis na economia dos bits. Intuitivamente, elas percebem a diferença entre as duas economias e entendem por que o Grátis funciona tão bem on-line."
"A ascensão da “freeconomics”, a economia do Grátis, está sendo abastecida pelas tecnologias da era digital."
"O que a Internet faz é integrar os três, combinando as quedas de preço dos três elementos tecnológicos: processadores, largura de banda e armazenagem."
"Todas as linhas de tendência que determinam o custo de fazer negócios on-line apontam na mesma direção: para zero. Não é de se surpreender que todos os preços on-line avancem na mesma direção."
"Hoje em dia, os modelos de negócios mais interessantes estão descobrindo maneiras de ganhar dinheiro em função do Grátis."
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